Meu Dodge Dart

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 Meu Dodge Dart

Quando tinha 16 ou 17 anos já estava à procura de um Dodge para a coleção do meu pai. Nessa época, por volta de 1997-98, ainda era comum achar anúncio hoje absurdos. A oferta de carro ainda era grande, antes do 1° Boom dos Muscle Cars no Brasil. Achava-se Charger 75 Amarelo Montego, em perfeita condição, por R$ 5.000,00. O mercado de peças também  era diferente, época de fartura. Visitando ferro velho era possível comprar tudo o que estava faltando no carro, gastando muito pouco. Em algum momento, descobri que o Dart 79 que vivia estacionado no meu prédio estava a venda e então comecei a negociar com o senhor que era seu dono. Por acaso esse Dodge já estava por lá quando me mudei, em 1989. Ele estava pedindo R$ 2.000,00 no Dodge, convenci meu pai de que seria uma boa oportunidade de investir num antigo e fiz todo meio de campo até a finalização da compra. Após a transferência do dinheiro e a “posse da chave”, o antigo dono me chamou para conversar e me deu duzentos reais para começar a restauração do carro, apesar do valor pequeno, dava para comprar bastante coisa no final dos anos 90. Resumo da ópera, o carro saiu por R$ 1800,00, atualmente o custo de um volante Wallrod ou um par de lanternas traseiras. Abaixo os registros mais antigos do Dart.

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Em 2000 – 2001 o carro passou por um processo completo de restauração pelo Veteran Car Club de Brasília, sendo inteiramente supervisionada pelo meu pai e por mim. O objetivo nesse momento foi manter todas as características originais de época. Lembro que fiz o que hoje é conhecido como arqueologia automotiva, uma das minhas paixões. Trata-se de  pesquisar todas as características do carro quando saiu de fábrica, além de algumas características especiais. Para saber as características originais do Dart usei a vasta coleção de revistas que temos em casa. Verifiquei todas as edições que tinham linha 79, inclusive revistar modernas da época. Também me basiei na incipiente world wide web, quando ainda era muito raro achar informações detalhadas sobre Dodge. Claro que usei a rede de antigomobilistas da cidade, que com certeza é onde se cria mais cultura.

Foi feita funilaria completa, substituindo caixas de ar e pequenos pobres. Toda carroceria foi pintada com tinta PU e todo o interior foi refeito, do carpete ao forro de teto.

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Especificamente sobre esse Dart, descobri que foram feitos poucos ano 78 modelo 79. Apesar de não ter achado nenhuma informação totalmente correta, acredito que fabricaram entre 200 e 500 carros desses, a minoria com o interior marrom. Outra curiosidade, conversando com um amigo Mopariano que também tem um Dart 78-79, descobrimos que os carros eram quase gêmeos, são apenas 15 carros de diferença. Acreditamos que foram fabricados no mesmo dia e que talvez tenham vindo para Brasília no mesmo caminhão. Descobri que o motor foitrocado, algo relativamente comum de se fazer nos anos 80 e 90, devido a abundância de motor à disposição. A vantagem é que é dos blocos mais antigos, fundido em 1972.

Mesmo parcialmente reformado o carro ficou guardado em garagem até o ano de 2005 – 2006, quando coloquei o carro de novo nas ruas. Logo conheci alguns moparianos daqui de Brasília, quando tive o primeiro contato com o “do it your self“. Fiz parte ativa do BSB Road Runners, clube focado em carros V8 multimarcas. Nessa época andei bastante no Dart, frequentando encontros, passeando com amigos, mas sentia que algo não estava bem no Mopar. Além da suspensão a lá Galaxie, molengo demais, frear era uma aventura a parte. Puxava para todo lado, sem direção nenhuma. Em 2007 resolvi parar o carro de novo, passando a me dedicar exclusivamente à minha profissão. Porém frequentemente o visitava na garagem para ligar o 318 e dar pequenas voltas, só para manter o mínimo de movimento.

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Mais quatro anos de hibernação e decidi que era a hora de começar a reforma de todo o conjunto mecânico. Escolhi começar pelo sistema de suspensão e freio, já que o motor estava funcionando perfeitamente. Comecei fazendo pesquisas na internet sobre a suspensão dos Dodges A-Body. A princípio parecia que simplesmente não haviam informações, mas com o tempo descobri que existiam, e melhor, com muita qualidade. Mas para ter acesso a essas informações, às peças necessárias, referências, como e onde comprar, processos de instalação e dicas, foram meses de pesquisa e muitas conversas com experts no assunto. As melhores fontes para mim foram os fóruns, principalmente o FABO- For A Bodies Only e o do Museu do Dodge, seguidas pelos livros técnicos que importei dos EUA.

Confiante o suficiente, iniciei o trabalho na suspensão do Dart. Conforme fui restaurando peça por peça, fiz registros textuais e fotográficos, sempre com a intenção de ajudar que outro mopariano que esteja com a mesma necessidade. Foi assim que surgiu a ideia de construir o blog MundoMonc.com, para que se tenha algum caminho para seguir, deixando trilhas de forma clara e objetiva, inclusive para aqueles doidos que querem arriscar fazer o trabalho sozinho, como é o meu caso.

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O resultado final ficou excelente. Já rodei mais de 3.000 quilômetros e nenhum problema sério ocorreu. Participei de dois passeios estradeiros, viagem de cerca de 300 km, e três track days no Autódromo Internacional Nelson Piquet. Só alegria! Hoje o carro está muito bom de guiar, bem mais firme e preciso. Os freios ficaram excelentes, para mim ainda não precisa de um up grade. Agora estou iniciando os conceitos a respeito do resto da parte mecânica do carro: motor, câmbio e diferencial. Todos serão reconstruídos da mesma forma que fiz com a suspensão. Portanto acompanhem o MundoMonc para receber as novidades e informações. Abaixo os primeiros registros com a suspensão nova.

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Sejam bem vindos e aproveitem.

Seguimos conversando.

André Monc